Neymar Jr.

Neymar Jr. e Instituto Projeto Neymar Jr. são destaque no New York Times

O Instituto Projeto Neymar Jr. e o craque Neymar Jr. viraram destaque nas páginas do renomado jornal The New York Times. A matéria fala um pouco sobre o INJr no período dos Jogos Olímpicos e também sobre a trajetória de NJr em tentar conquistar o tão cobiçado ouro Olímpico de futebol. Abaixo você confere o texto:

Por JERÉ LONGMAN AGO. 6, 2016

No campo e em seu bairro de infância, Neymar tenta mudar a narrativa

Mauricio Lima for The New York Times

PRAIA GRANDE, Brasil – Uma cerimônia de abertura dos Jogos de Verão para crianças foi realizado nesta sexta-feira no Instituto Neymar Jr., fundado pela estrela de futebol que assumiu a responsabilidade Olímpica duas vezes.

Quanto mais público envolvido nos Jogos do Rio, onde Neymar, 24, tentará restaurar a autoestima da bandeira brasileira. O país que é o maior sinônimo com o esporte já ganhou cinco Copas do Mundo, mas nunca uma medalha Olímpica. Uma estreia de 0 a 0 contra a África do Sul na quinta-feira não ajudou a curar o trauma prolongado de uma derrota desastrosa para a Alemanha, na Copa do Mundo de 2013; Uma vergonha nacional que até a mãe de Neymar eufemisticamente chama de “a situação”.

Mas Neymar também está tentando ressuscitar o seu devastado bairro de infância na Praia Grande, uma cidade litorânea que fica a uma hora de São Paulo. A área que envolve o instituto para jovens é beatificamente chamada de Jardim Glória, mas é uma comunidade pobre e perigosa, com problemas de drogas, prostituição e uma carência de boas escolas e empregos.

Ueslei Marcelino/Reuters

A instalação, com suas classes, campos de relva e altas paredes brancas, abriu em dezembro de 2014, algumas quadras depois do bairro onde Neymar viveu, na Rua B, jogando futebol em uma rua ainda não pavimentada. Ele gastou mais de seis milhões de seu próprio dinheiro para construir o Instituto, além de chamar patrocinadores, disseram os funcionários do Instituto.

Cada dia, antes ou depois da escola, 2.400 garotos e garotas, de sete a 14 anos, vão sem custo por duas horas. Eles leem, escrevem, trabalham em computadores, além de estudar inglês, espanhol e português. Crianças mais velhas vêm a noite. Os pais também são convidados para treinamentos vocacionais.

Um dentista e doutores estão disponíveis. Na quarta-feira, 32 crianças ganharam óculos de graça, os funcionários disseram. Mais dezenas ensaiaram para a cerimônia de sexta-feira, balançando laços nas cores dos aros olímpicos e preparando bandeiras de papel que representavam os 78 países.

Durante os Jogos Olímpicos e Paralímpicos, os garotos e garotas participarão em uma Mini-Olimpíada que terá futebol, basquete, vôlei, natação e judô. Mas os funcionários do Instituto enfatizaram que a instalação é para o desenvolvimento de oportunidades, não para atletas.

Mauricio Lima for The New York Times

“Não é uma escolinha de futebol,” disse Altamiro Bezerra, diretor financeiro do Instituto. “A família Neymar quer mudar as condições aqui e dar às crianças os básicos: Saúde, educação e esperança. Quando você é jovem, você precisa acreditar no futuro, que há algo de bom no fim.”

Fora do bairro, onde Neymar morou de seus 7 aos seus 13 anos, ele tem uma relação complicada com o Brasil.

Ele é um dos melhores jogadores do mundo, elegante, habilidoso e imensamente popular com seus 55.9 milhões de seguidores no Instagram. Jogando ao lado de Lionel Messi e Luis Suárez na amedrontadora linha de frente do clube espanhol Barcelona, ele ganhol a Champions League europeia em 2015, depois de começar sua famosa carreira no Santos, o clube brasileiro do famoso Pelé.

Mesmo assim, enquanto veste o amarelo, verde e azul da Seleção Brasileira, Neymar é uma lembrança do sucesso elusivo, mesmo em sua ausência.

Mauricio Lima for The New York Times

Ele não foi escolhido quando tinha 18 anos para a Copa do Mundo de 2010, quando o Brasil caiu nas quartas de final. Ele sentou do lado de fora, com uma vertebra quebrada nas costas, quando o Brasil perdeu para a Alemanha na semifinal de 2014. E por um pedido do Barcelona ele só conseguiu jogar um jogo nesse verão, entrando de férias durante a Copa América Centenário em Junho. Sem ele, o Brasil saiu na fase de grupos e o técnico do time, Dunga, foi demitido.

As recentes notícias fora-de-campo sobre Neymar também não foram das melhores. Em março a mídia brasileira noticiou que ele foi culpado por uma corte federal do Rio por uma fraude de tributação relacionada aos seus contratos no Santos, Barcelona e a Nike. De acordo com as notícias, ele foi ordenado a pagar cerca de 52 milhões em multas e impostos. Ele declarou que pagou tudo que devia.

Depois de ser azucrinado por repórteres sobre suas festas com celebridades durante a Copa América, Neymar disse que o que ele fez nas férias diz respeito só a ele. Rispidamente, ele perguntou aos jornalistas: “Imagine você com 24 anos, conseguindo tudo que consegui. Você não faria o mesmo que eu?”

Uma medalha de ouro olímpica daria a Neymar o prêmio que nem Pelé tem. Mas Neymar precisa entregar o ouro para reafirmar seu status como atleta celebridade e garoto propaganda, disse Milton Neves, um comentarista de esportes no canal brasileiro Bandeirantes.

Mauricio Lima para The New York Times

“Neymar precisa vencer a medalha de ouro olímpica que o time brasileiro necessita tanto” disse Neves.

O ouro no futebol deve ser o prêmio mais cobiçado para o Brasil nos Jogos do Rio, mas é apenas um dos 28 esportes e não está nos holofotes como estaria na Copa do Mundo.

O torneio Olímpico é para jogadores de menos de 23 anos de idade, com apenas três jogadores mais velhos permitidos em cada time. Diferente da Copa do Mundo, a estreia na quinta-feira não inspirou as pessoas ao redor da nação a deixarem seus trabalhos e se reunirem em camisas amarelas. Poucos sentaram em bares nas praias aqui ou perto de Santos para assistir o jogo. Brasil não conseguiu um gol mesmo com a África do Sul com um a menos, após um dos seus jogadores ser expulso com 30 minutos faltando.

“Para nós, um empate é uma derrota,” Neymar contou aos jornalistas.

A Olimpíada chega ao Brasil em meio a uma crise política e econômica. Até um amigo próximo de Neymar, Ciro Lopes, disse que ele não abriria o seu bar em Santos nesta quinta-feira de jogo.

“Com a crise econômica,” Lopes, 52, disse, “as pessoas não tem dinheiro.”

No Instituto Neymar Jr., Ana Paula dos Santos fez o sinal da cruz na quarta-feira, quando ela veio entregar uma camiseta Olímpica à sua neta. Se o Brasil ganhar o ouro no futebol, “limparia minha alma”, ela disse. “Eu dormiria em paz.”

Celso Junior/Getty Images

Ela se referia a derrota por 7 a 1 contra a Alemanha, há dois anos. Uma das maiores derrotas do Brasil na Copa do Mundo. A partida, quando é se quer mencionada, é simplesmente chamada e abreviada por seu placar: Sete a Um.

Nadine Gonçalves, 49, mãe de Neymar e chefe executiva de seus jovens no Instituto, disse que ela assistiu à partida em casa, com seu filho lesionado. Ela poderia ver o questionamento em seu rosto, junto de choque e tristeza: “E se eu estivesse lá? Eu conseguiria mudar o que aconteceu?”

Mais do que uma partida foi perdida naquele dia. A clareza do futebol brasileiro se apagou, junto com a certeza de que habilidade e improvisação poderia sempre superar a técnica e tática da resistência do oponente, disse Flavio de Campos, um professor da história sociocultural do futebol na Universidade de São Paulo.

“As pessoas colocaram suas esperanças nessa coisa mágica que nós acreditamos que o nosso futebol tem,” de Campos disse.

Muitos, provavelmente a grande maioria dos brasileiros acreditam que um ouro Olímpico não chegaria perto de redimir a vergonha da Copa do Mundo de 2014.

Mauricio Lima para The New York Times 

“Apagar os 7 a 1? Nunca,” Nilson Luiz de Marco, 56, disse quando chegou perto do Instituto Neymar Jr. “A única maneira é se jogarmos contra a Alemanha de novo e ganharmos de 7 a 1.”

A Alemanha também está jogando o torneio Olímpico e isso daria ao Brasil a chance de uma grande vitória ou – estremecer – outra derrota incrível. Se isso acontecesse, Bezerra, um funcionário do Instituto Neymar disse com bastante humor, “vamos nos mudar para a Alemanha.”

As crianças do Instituto pareceram bem mais ansiosas com as Mini-Olimpíadas do que com o resultado das Olimpíadas reais. Guilherme Sousa Gomes, 9, disse: “Esse lugar é seguro. Lá fora não é. Têm muitos assaltantes andando por aí.”

Giovanna Moreira Andrade, 10, disse que sua mãe conseguiu um emprego ensinando mulheres a como usar maquiagem, após tomar aulas vocacionais no Instituto. A vida de foi “de pior pra melhor,” ela disse. Sua família comprou uma churrasqueira e ela sonha com uma piscina.

Tania Franco contribuiu com a matéria.

http://www.nytimes.com/2016/08/07/sports/olympics/rio-2016-neymar-brazil-soccer-hometown.html

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